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O QUE É “ EVERYDAY CARRY” ? (EDC)

Everyday Carry” (EDC) é um termo em inglês que, traduzido literalmente, seria algo como “levar todo dia”. É o conjunto de itens que você carrega consigo no dia-a-dia, seja no bolso ou na mochila, com o objetivo de ajudar a cumprir tarefas, sejam elas mundanas ou excepcionais. Recibos amassados, papel de bala, chiclete mascado e outros descartáveis que podem estar no seu bolso – espero que não por muito tempo – não contam (a não ser que você seja o MacGyver).

Para citar outro exemplo da cultura pop, o EDC perfeito seria como o cinto de utilidades do Batman, que sempre contém aquela ferramenta essencial para a tarefa necessária. Como, no mundo real, nem todos têm a capacidade de antever as próprias necessidades ou vasto acesso a recursos do Homem Morcego, observe os princípios abaixo para auxiliá-lo a montar seu próprio EDC:

1.        Utilidade

2.        Organização

3.        Confiabilidade

Cinto do Batman: Pronto para Qualquer Situação

UTILIDADE

O primeiro Princípio é o da Utilidade, que se observa por dois critérios: necessidade e personalização. A filosofia do EDC é ser útil, logo, cada item deve ser pensado de forma a prover uma necessidade do usuário que, por sua vez, atende a questões de ordem pessoal.

De fato, há necessidades comuns a todas as pessoas, ou itens que são tão polivalentes que estão presentes na maioria dos EDC’s, a exemplo dos celulares e lâminas, óculos, chaveiros e garrafinhas de água. Por outro lado, há necessidades bastante peculiares, que justificam a presença de um estetoscópio no EDC de um médico ou de uma calculadora científica no bolso de um engenheiro.

O EDC também pode ser personalizado de acordo com seus objetivos para cada dia. A configuração de seu EDC pode ser adaptada para o trabalho, para a academia ou para um final de semana no campo.

Não podemos perder de vista que, para que um item seja útil, é imprescindível que seja associado à habilidade pertinente para usá-lo. Não será útil ter um item se você não souber como usá-lo, logo, de nada adianta carregar um canivete se numa situação real você não tem coragem ou habilidade para usá-lo e pode acabar perdendo-o para um bandido, piorando a sua situação ao invés de ajuda-lo. Exceção nesse caso para itens de atendimento pré-hospitalar, pois você pode estar inconsciente e alguém preparado irá utilizar o seu kit em você.

Há um fator muito importante que não pode ser esquecido, no entanto. Existem itens que você deve carregar para, talvez, nunca utilizar, mas deve ter sempre consigo porque, quando for necessário, pode ser a diferença entre sua vida ou morte. Quando você entra no seu carro e afivela o cinto de segurança, não tem a intenção de colidir contra o poste na esquina, mas o faz porque é uma atitude que pode salvar sua vida. Assim também é a decisão de carregar certos itens, como uma arma de fogo (observada, sempre, a legislação pertinente). Não se engane, esses itens ainda seguem o Princípio da Utilidade, pois serão muito úteis, ou mesmo essenciais, em momentos excepcionais, seguindo a máxima segundo a qual “um homem prevenido vale por dois”.

Ao identificar suas necessidades é importante compreender quais são reais e quais são ilusões ditadas pelo consumismo e marketing que afeta a todos. Assim, após listar suas necessidades, faça uma autocrítica e descarte todos os itens que não serão de fato úteis, aqueles que você ainda não sabe usar, bem como aqueles que podem te gerar problemas em situações específicas, como um canivete em uma porta de banco ou avião.

EDC Básico do Atirador: “Se você porta uma arma, você deve portar um torniquete.” Doc. Maniglia.

ORGANIZAÇÃO

Organização significa colocar cada coisa no seu devido lugar. Os itens do EDC geralmente são carregados junto ao corpo, nos bolsos, cinto ou mochila. Para alocar corretamente cada um destes itens você deve observar os critérios de acessibilidade e conforto.

Para ser útil, especialmente em caso de emergência, o EDC precisa estar em pronto uso. Isso significa que você precisa saber exatamente onde o item está. Isso é ainda mais importante quando se trata de algo voltado para a defesa pessoal: não adianta largar um spray de pimenta dentro da bolsa se, quando o agressor atacar, você não tem ideia de onde o item está ou se tem um zíper como obstáculo.

Use como exemplo os cintos policiais ou coletes dos militares, coloque itens mais letais (armas de fogo, facas, canivetes) do seu lado dominante (direito para os destros) e, a partir daí, distribua seu kit pelo corpo, mas deixando cada coisa sempre no mesmo lugar, visando criar uma “memória muscular”.

Sejamos sinceros, portar um grande EDC não é confortável. Por isso é importante considerar o volume e peso dos seus itens, bem como e onde eles serão transportados. Conforto é um princípio essencial, porque, se se sentir desconfortável, eventualmente você deixará de levar algum item consigo, e, como disse o engenheiro Edward Murphy, é neste momento que ele te fará mais falta. Para descartar os itens desnecessários, utilize o primeiro princípio (utilidade).

Se, após passar por aqueles critérios, seu EDC ainda parecer desconfortável, apele para calças cargo (com vários bolsos), cintos do tipo “gun belt” ou mesmo mochilas. De fato, sua roupa é um item importante do seu EDC e deve ser considerada com cuidado em todos os seus aspectos, seja na capacidade de carregar itens, seja na resistência do material, ou ainda na possibilidade de te garantir vantagens no meio social ou físico que você for interagir, como ajudar a passar desapercebido ou proteger itens de valor de uma ameaça oculta.

Kit APH (Atendimento Pré-Hospitalar) Básico

CONFIABILIDADE

Buy once, cry once¹”. Você carrega um item consigo por algum tempo e, quando chega o momento de ser necessário, ele quebra e te deixa na mão. No filme “127 Horas”, que narra uma história real, fica claro o desapontamento do aventureiro Aaron Ralston quando precisou utilizar um canivete chinês que ele havia ganhado de presente de Natal da própria mãe. Para evitar situações como esta é fundamental que o EDC seja confiável, de boa qualidade.

Sem dúvidas, além de se adequar às necessidades pessoais, o EDC também deve se curvar às possibilidades de cada um. Dentro dessas possibilidades, evite a “economia na base da porcaria”, que, bem sabemos, não é uma economia real, no longo prazo. Reconheça o valor de um produto de qualidade, que não necessariamente significa que ele será caro, mas “não existe almoço de graça”, não é mesmo?

EDC e DEFESA PESSOAL

Já foi dito que existem vários propósitos em um EDC, que visa atender as necessidades de cada pessoa. Dada a situação de segurança pública no Brasil, a defesa pessoal é uma necessidade essencial comum a todos os cidadãos. Sendo assim, visando orientar a seleção de um EDC que contribua com sua estratégia de segurança pessoal, classificamos abaixo os itens em algumas categorias, sem excluir outras conforme a realidade de cada um:

– De fogo: pistola, revólver.

– Cortante/Perfurante: faca, canivete.

– Contusão: Spikey, lanterna, bastão retrátil, caneta “tática”.

– Distração: spray de pimenta, Taser.

– Iluminação: lanterna, luz química.

– Blow Out: torniquete, “ combat gauze”, luvas nitrílicas.

– Amarração: paracord, zip ties.

– Comunicação: celular, rádio.

– Navegação: celular, bússola, GPS.

– Sobrevivência: apito de emergência, paracord, iniciador de fogo.

– Padrão: chaves, cartão de crédito, documento, óculos escuros.

EDC para Defesa Pessoal

CONCLUSÃO

Ao escolher seu EDC é importante ficar atento à legislação local referente ao porte de determinados itens. Infelizmente, vivemos no Brasil sob a égide do Estatuto do Desarmamento, o que inviabiliza o porte de armas de fogo para os cidadãos de bem. Alguns Estados e cidades brasileiras possuem restrições quanto ao tipo e tamanho das facas. E existem lugares, tais como bancos e aeroportos, onde alguns itens são proibidos.

Escolha cada item com ênfase em sua utilidade e confiabilidade. Tenha sempre em mente que os itens são apenas ferramentas para cumprir a missão com êxito, mas o fato de ter uma guitarra não te transforma no Jimi Hendrix. Assim, é essencial ter a habilidade necessária para utilizar cada equipamento. Conheça seu equipamento, treine com ele, seja seu próprio segurança!

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Como Ser Seu Próprio Segurança?

Elabore um plano, agora. Como diria o General Patton¹, “um bom plano executado agora é melhor que um plano excelente executado semana que vem”. Nós não somos capazes de nos preparar para todas as incertezas da vida, mas devemos aumentar o nosso nível de preparação e consciência da situação em que vivemos.

A violência, infelizmente, pode ocorrer a qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer hora. E esse é o primeiro passo para ser o seu próprio segurança: reconheça que você pode ser vítima da violência.

Se tivesse certeza da data e hora que seria vítima de violência, o que você faria antes? Certamente treinaria como um atleta que almeja uma medalha olímpica, mas, neste caso, está em jogo algo muito mais valioso: a sua vida.

Evitar o perigo é sem dúvida a melhor estratégia. Devemos ter em mente que o crime é um processo e, então, conhecer suas etapas. A primeira delas é a seleção da vítima, logo, não facilite a vida do bandido!

Conhecimento é poder: leia livros, veja vídeos reais de crimes, estude a realidade da sua microrregião, aprenda a partir de erros e acertos dos outros. Desenvolva, a partir daí, um comportamento de segurança: adote medidas de segurança que tornem você uma presa difícil e retire do criminoso a vantagem do elemento surpresa. Incorpore, de forma gradual e constante, tais comportamentos ao seu cotidiano, transformando segurança num hábito. A ação é melhor que a reação, sempre ataque primeiro!

Se vis pacem, parabellum². Em qualquer lugar do Mundo, o Estado é incapaz de nos prover segurança 24 horas por dia, como disse o Tenente Coronel Dave Grossman³, a sociedade é composta por “ovelhas, lobos e cães pastores” – os lobos estão à espreita aguardando um momento para atacar as ovelhas, é nosso dever como cidadãos (cães pastores) nos proteger. A capacidade de nos defender é libertária, portanto, esteja preparado!

A preparação para ser o seu próprio segurança se completa com o desenvolvimento de habilidades específicas, que não tem nenhum valor a menos que possam ser utilizadas no momento da necessidade. São elas:

– Defesa Pessoal/Combate corpo-a-corpo;

– Tiro com armas de fogo;

– Direção Tática/Evasiva;

– Primeiros Socorros/Atendimento Pré Hospitalar;

– Sobrevivência/SERE;

– Navegação;

– Comunicação/Rádio;

Lembre-se sempre: nós não planejamos falhar, nós falhamos em não planejar. Elabore um plano, ganhe conhecimento, adquira habilidades, pois é melhor tê-las e não precisar do que precisar e não as ter. Assuma responsabilidade pela sua vida, liberte-se, seja seu próprio segurança!

 

¹George S. Patton, General americano da 2ª Guerra Mundial;

²Do latim: se queres paz, prepara-te para a guerra;

³Militar e escritor americano;